O ano poderia ter sido um desastre, mas não foi. Entre mortos e feridos, na atividade seguradora, salvaram-se quase todos. É verdade que o crescimento foi baixo, que mesmo em carteiras impactadas por setores nos quais a economia teve desempenho positivo, como na venda de veículos novos, a evolução dos prêmios não guardou relação com os fatos. É verdade que os planos de saúde privados tiveram retração ou interrupção do crescimento, além do aumento da sinistralidade.
É verdade que algumas empresas perderam dinheiro além do esperado. Como é verdade que a previdência privada aberta interrompeu o círculo virtuoso que fez, nos últimos anos, com que o VGBL fosse um dos produtos financeiros com maior procura.Também é verdade que o microsseguro não evoluiu. E é verdade que 18 milhões de residências continuam sem nenhum tipo de seguro. Como é verdade que não se pode falar no crescimento expressivo das carteiras empresariais.Então o que houve? Ocorre que o faturamento do mercado se manteve em níveis muito próximos aos de 2008, o que foi suficiente para que não houvesse a quebra de nenhuma empresa grande, além de permitir que as que se deram mal fossem absorvidas sem redução na qualidade no atendimento.De outro lado, o ano foi bom para a consolidação da abertura do resseguro. Ainda que com poucas resseguradoras locais em operação, a vinda de empresas internacionais esquentou o mercado, dando para as seguradoras em operação no país mais opções de escolha, além de fazer com que, pelo aumento da oferta, ocorresse a redução do preço de algumas linhas.Mas a abertura do resseguro trouxe também situações inusitadas, como a falta de capacidade para determinados riscos que nunca tinham enfrentado esse tipo de situação. Coisas de um mercado livre, onde fazer negócios está diretamente ligado ao interesse da outra parte e que serve de lição para o amadurecimento das empresas brasileiras.Além disso, 2009 assistiu a uma violenta mudança no nível de concentração do mercado. Fusões, aquisições e associações mudaram a cara do setor, criando uma nova realidade.
Os novos desenhos abrem oportunidades para empresas que investirem em planejamento estratégico e reposicionamento no mercado.Cada vez mais os grandes grupos financeiros se consolidam como os líderes do setor. Seja em seguros, em previdência privada aberta ou capitalização, as maiores empresas estão ligadas a esses grupos. A exceção é o segmento da saúde privada, mas, mesmo aí, operadoras ligadas a grandes bancos ocupam lugar de destaque.O novo cenário exigirá competência dos corretores de seguros.
A verdade é que a concentração nos diferentes segmentos das operadoras é expressiva e poderia ser vista como um breque no crescimento, mas essa concentração traz consigo uma série de oportunidades de parcerias para os corretores, tanto com as companhias líderes, como com outras empresas que deverão recorrer a novos parceiros para não perderem mercado.
O que fará diferença será o preparo e a profissionalização. Com certeza, um bom número de corretores deixará o mercado, principalmente por não estar preparado para competir num front agressivo, fruto da concorrência e da dinâmica da economia.Mas mesmo eles poderão ter seu lugar ao sol. Deve aumentar a quantidade de plataformas de corretores que os receberão, disponibilizando-lhes produtos competitivos, aos quais, de outra forma, não teriam acesso. Além disso, a figura do agente de seguros é uma questão de tempo.
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