O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vê como factível a aprovação da Reforma da Previdência e também a privatização de ativos da União até o final do governo Michel Temer. Em sua avaliação, a votação das mudanças nas regras da aposentadoria e de outras medidas encaminhadas pela equipe econômica são importantes para o crescimento da economia e por isso a aprovação, até o final de 2018, é de interesse até da oposição.
— Eu acho que tudo é uma questão de debate e, ao contrário do que parece, eu acho que há chances de aprovação da reforma da Previdência são reais — disse durante participação no Congresso Internacional dos Mercados Financeiros da B3.
Entenda a reforma da previdência
Meirelles voltou a afirmar que não trabalha com plano B para a reforma da Previdência e que a intenção do governo é não reduzir de forma significativa os benefícios fiscais da proposta original do governo. Segundo ele, o texto aprovado na comissão especial mantém cerca de 75% desses benefícios, o que seria uma patamar razoável para a estabilidade desses gastos no médio e longo prazo.
Em uma plateia formada por profissionais do mercado financeiro, Meirelles apresentou dados sobre a evolução das depesas com aposentadorias do setor público e privado que, segundo ele, representam hoje 50,4% do PIB. No entanto, até 2018, isso irá representar 71,6%, sobrando menos recursos para as outras atividades do governo, o que para ele mostra como é insustentável o atual sistema.
— Se não houver reforma da Previdência, esses gastos vão ocupar ainda mais espaço do orçamento. O que falamos aos parlamentares é que a aprovação da reforma é de interesse do país, dos eleitores e dos parlamentares. Sem ela, teremos cada vez mais uma inviabilização do trabalho parlamentar — explicou.
Para mostrar que de fato existe uma distorção no sistema previdenciário brasileiro, o ministro apresentou um levantamento que mostra que, no Brasil, os gastos com as diversas aposentadorias consomem 13% do Produto Interno Bruto (PIB), porcentagem equivalente ao número de pessoas com mais de 65 anos no país em relação ao restante na população. Já no Japão, em que quase metade da população é de idosos, os gastos com previdência equivalem a 10% do PIB.
PLANO DE PRIVATIZAÇÕES
Além de se mostrar confiante com a aprovação da reforma da Previdência, Meirelles afirmou que é factível concluir até o final do ano que vem a privatização dos 57 projetos que foram incluídos nessa semana no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), que inclui a privatização da Eletrobras, Casa da Moeda, aeroportos e linhas de transmissão, entre outros itens, e que devem render ao governo algumas dezenas de bilhões de reais.
— E factível concluir esse programa. O que há de mais complexo é a definição das normas das diversas áreas e depois a seleção dos ativos. No momento que isso está claro, fica muito mais rápido o processo todo —- afirmou, acrescentando que mesmo o processo eleitoral, que em geral deixa os investidores mais receosos, não deve atrapalhar esse plano.
Meirelles afirmou, sem citar nomes, que já há investidores interessados em diversos dos ativos, como a Casa da Moeda e a Lotex.
— No caso da Lotex já há grandes operadores internacionais interessados (nesse ativo). Então acho sim que é viável. Essa é uma questão importante para o país, haja vista a reação dos mercados após o anúncio — disse.
LENTA RETOMADA
Meirelles voltou a afirmar que a economia brasileira já está em processo de recuperação, mas o movimento da retomada é lento devido à profundidade e extensão da recessão econômica. Acrescentou ainda que a reforma da Previdência, que, segundo ele, segue com chances reais de ser aprovada, irá ajudar no crescimento da economia.
— A demora na recuperação econômica é porque tivemos um processo de recessão mais longo e mais profundo de toda a história. Os efeitos disso na economia são enormes, diferente da recessão de 2008. Foi uma crise de crédito importada que, quando terminou, as empresas estavam intactas e era possível retomar rapidamente. Agora, estamos em um processo de reconstrução da economia — explicou.
Entre os sinais de retomada, citou a fabricação de eletroeletrônicos, leve recuo da taxa de desemprego e a queda dos juros e da inflação, que, em um primeiro momento, permitem a volta do consumo e, ainda em menor grau, do investimento. Meirelles espera um crescimento de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, mas que, no quarto trimestre, o crescimento estará, de forma anualizada, em 3,2% na comparação com o trimestre anterior.
— Em resumo, estaremos entrando em 2018 com um ritmo de crescimento forte e com um carregamento estatístico (para o PIB anual) forte — avaliou.
Meirelles lembrou ainda que a reforma tributária está em fase inicial e que o objetivo é que ela tenha um efeito neutro na carga de tributos, mas que seja um sistema mais racional, assim como outras reformas microeconômicas que darão maior eficiência à economia brasileira.
O ministro da Fazenda comentou ainda que a reforma trabalhista pode gerar seis milhões de empregos:
— Seis milhões é o que a lei da terceirização e a reforma trabalhista podem gerar de ganho efetivo no mercado de trabalho. Acreditamos que é um processo que deve levar de três a cinco anos.
Fonte: “O Globo”
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