O pessimismo é, em geral, contrário aos bons negócios. A cabeça dos mercados é, portanto, sempre compradora, salvo em momentos muito especiais, quando falham todos os indicadores de sustentação do otimismo.
Parece que vivemos uma dessas situações.
Não só no plano internacional, onde os sintomas de crise são evidentes, mas agora, também na projeção do mercado interno, acumulam-se densas nuvens a perturbar o cenário da deliciosa primavera seca e ensolarada no sudeste brasileiro.
Falo de nuvens virtuais, aquelas que aparecem no cenário econômico, despertando a vontade dos investidores de buscarem mais proteção para seus portfólios, abrindo guarda-chuvas financeiros em pleno dia de sol.
O ano de 2011 representou a inversão da curva de produção intensificada no segmento industrial brasileiro. Após um ano espetacular de recuperação, que fez a indústria crescer 10% em 2010, o mercado interno arrefeceu neste ano, trazendo este indicador para uma expansão irrisória de 1%, previsto pela RC Consultores para 2011.
Mesmo com os ótimos desempenhos da Agricultura e do Comércio e Serviços, o PIB brasileiro de 2011 não deve superar 3%.
Por isso, piora o desempenho das contas do governo federal, não pelo resultado da arrecadação – que é excepcional em 2011 – mas pelo fato muito mais perigoso de a despesa fiscal de consumo haver acompanhado a receita, expandindo-se muito além das contas e previsões do governo Dilma.
Contraditoriamente, apenas os gastos de investimento foram reduzidos em termos reais, impondo sério revés às intenções oficiais de aceleração de investimentos públicos.
Neste cenário de resultados contraditórios com o otimismo da mídia e da opinião da maioria dos especialistas, projeta-se um ano de 2012 mais vagaroso no comportamento dos consumidores. Estes parecem estar lendo as previsões de chuva na economia mais rapidamente do que os especialistas.
O ritmo de expansão da massa de rendimentos no Brasil é cadente, ou seja, ainda cresce, mas bem devagar em relação à eufórica marca de 8,3% de aumento real, acima da inflação do período, em 2010. Em 2011, crescerá em torno de 4,5% reais. Porém, o consumidor já sente que, em 2012, o ritmo cairá mais, para algo em torno de 2,8%, segundo previsão da RC.
O problema não está tanto nos números absolutos projetados, que ainda são bons, se comparados aos de fora, onde a recessão comerá solta. É na previsão de um cenário mundial agravado que o consumidor brasileiro, mesmo o distraído participante da nova classe C, começa a por suas barbas de molho.
Ninguém fica desatento ao que se passa no exterior e todos se perguntam de onde vem tanta sorte e competência abençoando o céu de brigadeiro do nosso Brasil.
Mesmo sendo Deus brasileiro, uma certeza íntima que todos compartilhamos, é inevitável contabilizar o enorme estrago que o novo recuo da produção na Europa e nos EUA, e até a desaceleração na China e outros países asiáticos, poderão representar em termos de dificuldade de colocação dos produtos brasileiros, principalmente industriais.
Além disso, os concorrentes estrangeiros trarão seus produtos em maior quantidade e melhores preços para virem concorrer aqui dentro com os nossos. É a chuva de 2012, já detectada no radar da economia.
Fonte: Brasil Econômico, 25/11/2011
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