*Gabriel Pellon
O Brasil tem proporções continentais. Sua extensão de terra supera a de todos os países ocidentais europeus, se estende da linha do Equador ao Trópico de Capricórnio, é um dos principais produtores agrícolas do mundo, trazbilhões de dólares em exportações… Mas, em sua essência, permanece um país pobre. Não só economicamente, como também de espírito.
Há diversos agentes em ação que podem ser culpados por esse subdesenvolvimento. A pergunta do porquê ser o nosso país tão desigual, esparso, atrasado, não é mera discussão para ser resolvida em uma mesa de bar, em algumas horas. O tema é frequentemente arguido pela população em suas mais variadas perspectivas, mas raramente posto em palavras calcadas em rigor e método científico. Mas, nos estudos que tratam sobre o tema, há denominador comum. O Estado.
Somos marcados pelo assistencialismo estatal. Não há grande incentivo à inovação em nosso país. Segundo o IBGE, os cargos públicos no país, têm, em média, um salário 72% maior que os da esfera privada. A máquina pública suga talentos, atrai pessoas intelectualmente promissoras para cargos que exigem a aprovação em concursos públicos extremamente competidos. O brasileiro prefere a segurança do Estado, muitas vezes o confundido como um ente paterno que o acolhe de braços abertos e tolhe o potencial de seu próprio povo. Como bem pôs Sérgio Buarque de Holanda, o Estado não é uma ampliação do círculo familiar. Os cargos públicos pagam bem demais em nosso país e, quando postos em comparação com o risco da iniciativa privada, são muitas vezes preferíveis.
Nosso Estado ainda dá, no seu vigor paternalista, benefícios sociais a quase um quarto da população. Um estudo da FGV deste ano mostra que 1 em cada 2 família simplesmente deixa de trabalhar para ganhar benefícios do governo. Os valores são invertidos: temos incentivos para deixar de trabalhar, mas não para empreender ou inovar. O assistencialismo estatal, ao invés de tirar pessoas da pobreza e incentivá-las a buscar novas fontes de renda, a ampliar seu conhecimento técnico e buscar oportunidades, criou uma gigante parcela da população que encontra conforto e alento na renda mensal do governo. Não é surpresa que um dos discursos políticos mais eficientes para angariar votos é o da distribuição de renda através de programas sociais: milhões e milhões de pessoas em nosso país dependem deles.
Outrossim, para aqueles que decidem encara a iniciativa privada, são enfrentados pelas mil dificuldades que acompanham ter uma empresa no Brasil. O sistema tributário é desnecessariamente complexo, com curvas e desníveis confusos, inesperados, e ainda consome aproximadamente 30% de todo o lucro da empresa. Há ainda a necessidade de incontáveis certificações, laudos de vistoria e documentações necessárias para o mero exercício empresarial. Isso tudo sem ainda contar com a extrema corrupção estatal presente em nosso país.
Talvez, com uma mudança cultural profunda de nosso povo, pudéssemos progredir em conjunto. Talvez pudéssemos, com um povo unido para um objetivo em comum, sair das garras do papai Estado. A liberdade econômica, sendo o maior vetor de crescimento e bem-estar social até hoje descoberto pelo homem, mais uma vez seria útil a este. Mas o Estado dificilmente abre mão do que já agarrou, e muita gente ainda quer ficar sob sua sombra.