Na Europa, os mercados continuam focados no desenrolar das crises dos países com desequilíbrios fiscais excessivos e incapacidade de voltar a crescer. Agora, mais um país entrou no clube dos endividados, a Hungria, depois do comentário de uma autoridade de que a situação do país se assemelhava a da Grécia. Nos EUA, a economia segue em lenta reação, mesmo com sinais tímidos de melhoria do mercado de trabalho.
Neste cenário, a zona do euro aponta crescimento em torno de 0,2% no primeiro trimestre, não devendo passar de 1% ao fim do ano, com o desemprego em torno de 10% da PEA. Já a economia norte-americana, com o consumo esboçando reação, deve crescer algo em torno de 3,5% no ano, mesmo com o desemprego em 9,7% da PEA.
Por aqui no Brasil, a economia segue aquecida, embora mostre no segundo trimestre alguma perda de fôlego. O recuo da produção industrial em abril, 0,7% contra março, talvez seja um sinal neste sentido. No primeiro trimestre, o PIB, segundo o IBGE, deve crescer em torno de 2,0% a 2,4%, anualizado em 12%, com impulso do consumo das famílias e dos investimentos. Nos trimestres seguintes, no entanto, a tendência é de desaceleração, até pela base de comparação mais forte, já que a economia começou a retomar no segundo semestre do ano passado, com o fim da isenção do IPI para segmentos do setor de duráveis, como a linha branca e a indústria automobilística, e o início do ciclo de aperto monetário.
Pelo lado da produção industrial de abril, a retração de 0,7% contra março, depois de três meses de crescimento consecutivos (jan 1,3%, fev 1,5%, mar 3,4%), acabou surpreendendo, “liderada” pelo segmento de bens semiduráveis e não duráveis, recuando 0,8%.
Neste período, o segmento Bebidas recuou 11%, Celulose e Papel (-6,1%), Outros Produtos Químicos (-3,5%), Equipamentos de Escritório e Informática (-11,3%) e Veículos Automotores (-1,7%). Ou seja, em parte, o fim das isenções fiscais para o segmento de duráveis derrubou um pouco a produção, mas o segmento de semi e não duráveis acabou tendo maior contribuição. Bens Duráveis surpreendeu, crescendo 0,5% mensalmente e 20,9% contra o mesmo mês do ano passado, e Bens de Capital foi destaque, avançando 2,4% e 36,3%, respectivamente, o que é um bom sinal de retorno dos investimentos. Este bom desempenho dos Duráveis pode ser explicado também pela proximidade da Copa do Mundo, que vem aquecendo a venda de eletroeletrônicos, como as TVs de LCD.
Para esta semana que se inicia (dias 7 a 11), os mercados se voltam para a reunião do Copom (dias 8 e 9) e a “sintonia fina” entre o ritmo de crescimento da economia e o risco inflacionário. É possível um ajuste da taxa básica de juros em 0,75 pontos percentual, a 10,25% anuais, não descartando uma postura mais comedida, com ajuste de 0,5 p.p..
No front inflacionário, a alta das commodities já contamina os preços na cadeia produtiva, começando no atacado, com os IGPs pressionados. De abril para maio deste ano, pelo IGP-DI, o IPA passou de 0,72% para 1,49%, com o minério de ferro pulando de -1,06% para 49,8%, respondendo por 69% da alta do índice da FGV no mês de maio. Agora, o receio é de que haja reajustes na ponta da cadeia, no varejo, com impactos nos eletrodomésticos e automóveis. Respondendo a isto, o governo já cogita zerar a alíquota de importação do aço.
No outro lado da economia brasileira, a balança comercial já começa a colher os frutos favoráveis desta elevação da cotação das commodities. Em maio o superávit superou todas as expectativas, com US$ 3,4 bilhões, causado pela alta das commodities, como minério de ferro (alta de 35%), petróleo e soja. No ano, o saldo é positivo em US$ 5,6 bilhões, projetando algo próximo a US$ 15 bilhões ao fim de 2010, com exportações a US$ 180 bilhões.
Interessante observar, neste caso, que tanto as exportações como as importações, impulsionadas pela demanda doméstica, vêm tendo bom desempenho neste ano. Com isto, a corrente de comércio vem crescendo bem tendo superado 36% contra o mesmo mês do ano passado.
Em maio, as exportações, pela média diária, foram 28,7% superiores ao mesmo período de 2009 e as importações 42,5% contra o mesmo período de 2009. Em 12 meses, a balança comercial registrou superávit de US$ 21,59 bilhões, com as exportações somando US$ 169,60 bilhões e as importações US$ 148,00 bilhões.
Há de se observar, por outro lado, o bom desempenho das commodities aprofundando as distorções do perfil das exportações no País. Com as fortes vendas para a China, a participação dos bens básicos na pauta vem aumentando, em detrimento da queda dos manufaturados, impactados pela fraca demanda dos países ricos, como os EUA, a forte carga tributária e o “efeito câmbio”. De janeiro a maio deste ano, os bens básicos responderam por 43,1% da pauta, com os manufaturados com 41,1% e os semimanufaturados com 13,6%. Ao fim deste ano, tendo como base o desempenho recente, os bens básicos devem responder por 43% da pauta e os manufaturados por 40%.
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