Quando deixou o Ministério da Fazenda no início de abril para tentar se tornar o candidato do governo ao Palácio do Planalto, Henrique Meirelles considerava a virada do quadro econômico, com a volta do crescimento e a queda da inflação, como um de seus trunfos para conquistar apoio no MDB e votos nas urnas. De lá para cá, no entanto, a situação já não é mais a mesma.
Na mesma semana em que Meirelles tenta convencer o partido do presidente Michel Temer a lançá-lo como candidato o mais rápido possível, a equipe econômica vai reduzir sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O número oficial é de 3%, mas cairá para algo entre 2,5% e 2,3%. E essa ainda será uma projeção otimista, pois o mercado já caminha para um número próximo de 2%.
Ao mesmo tempo, a deterioração do mercado externo fez o dólar disparar nos países emergentes, levando o Banco Central a interromper sua estratégia de redução dos juros. Na semana passada, a autoridade monetária encerrou um ciclo de 12 quedas sucessivas na taxa Selic, estacionando o número em 6,5% ao ano.
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O mercado de trabalho também não tem um cenário que dê para ser comemorado em campanha eleitoral. O IBGE informou na semana passada que 4,6 milhões de brasileiros estão em situação de desalento, ou seja, pararam de procurar emprego porque não acreditam em oportunidades profissionais.
Tudo isso, num momento em que a pauta econômica não evoluiu no Congresso. A privatização da Eletrobras — principal item da agenda que foi colocada no lugar da reforma da Previdência — enfrenta resistências no Legislativo. E mesmo projetos que o governo considerava que não teriam dificuldade junto aos parlamentares, como o do Cadastro Positivo, ainda não foram aprovados. O texto base do Cadastro Positivo já recebeu o aval do plenário da Câmara, mas ainda falta votar destaques que podem desfigurar completamente a proposta.
Fonte: “O Globo”