*Arthur Abreu
Com a aproximação do período eleitoral é possível encontrar os mais diversos projetos de desenvolvimento do país, além de uma polaridade muito bem definida entre os grupos da esquerda e da direita. Porém, quando se trata de assuntos econômicos, é possível observar um mesmo discurso dominar os dois lados já há muito tempo, o nacional-desenvolvimentismo.
Essa vertente domina o pensamento econômico do Brasil desde as bases industriais instauradas por Vargas, e com um fomento do nacionalismo inspirado em movimentos europeus de vanguarda. O movimento nacional-desenvolvimentista encontrou amparo no forte discurso das “periferias do capitalismo” alimentado por economistas como Celso Furtado e a formação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).
Quando pensamos nos termos da dita ortodoxia econômica, identificamos como desenvolvimento a melhora dos indicadores socioeconômicos, ou seja, observa-se o PIB, o índice de Gini, o IDH, etc. Porém, para os desenvolvimentistas, o desenvolvimento significa a independência econômica do país, passando por etapas de transformação estrutural, substituição de importações, protecionismo e, principalmente, visando superar a deterioração dos termos de troca.
O primeiro ponto a se entender é que a teoria desenvolvimentista não traz termos diferentes, nem faz grandes revoluções, ela utiliza os mesmos termos já compreendidos, porém com significados diferentes, essa questão ajuda a justificar a integração nos dois lados da polaridade política, principalmente devido ao ponto de conexão entre os dois lados, o nacionalismo.
O discurso protecionista do desenvolvimentismo encontrou grande aderência na política nacionalista do Brasil, devido ao conceito da indústria nacional, uma indústria formada por brasileiros e que atenderia aos interesses brasileiros. Conceito esse que encontra dificuldades nos próprios conceitos do empreendedorismo, uma vez que não existe uma indústria nacional, mas sim industriais nacionais que buscam, corretamente, os seus próprios interesses. Para tratar esse problema, a economia ortodoxa impõe um protecionismo com base em critérios de prazos e metas bem estabelecidos, uma vez que esses interesses pessoais devem ser direcionados para a melhora dos indicadores socioeconômicos. Já para o desenvolvimentismo, como o foco não está nos indicadores, o protecionismo é implantado com um único objetivo, aumentar a produção do setor.
Esse protecionismo desenvolvimentista é encontrado em ambos os vetores da política brasileira, desde os considerados esquerdistas, como JK, Brizola, Marighela, Lula, Haddad e Ciro Gomes, como os ditos políticos de direita, como os governantes do período militar, Enêas Carneiro, Bolsonaro, e até mesmo em um governo que flertou mais com os ideais neoliberais, como no caso do governo Collor. Esse comportamento demonstra algo bem claro, o discurso econômico é só um, devemos proteger a indústria nacional e a soberania econômica.
E com outro comportamento, após mais de 70 anos de política econômica desenvolvimentista, é observado um diagnóstico bastante claro, a falência do sistema produtivo brasileiro, o benefício às produções de má qualidade, o aumento das reservas de mercado, a constante corrupção gerada por esse modelo, e a estagnação da complexidade econômica brasileira. Não é preciso ir longe para perceber esses erros, apesar de alguns acertos observados como o caso da Embraer e do crescimento da Petrobrás, é gritante os problemas nos setores automobilístico, tecnológico, farmacêutico, têxtil e de construção civil. Além das já comprovadas corrupções nos ditos cases de sucesso, como a Petrobrás e a Odebrecht.
O resultado colhido desse vício ideológico-econômico é visível, o Brasil possui um dos mercados mais fechados do mundo, indústrias em todos os setores, porém quase todas obsoletas e pouco desenvolvidas, e uma dificuldade em grandes destaques. Buscando, por meio de substituição de importações, produzir de tudo, o país conseguiu produzir tudo mal, desaguando em diversos outros problemas e prendendo o país na armadilha da renda média. O sintoma disso é um, o Brasil se tornou o eterno país do futuro, sempre com potencial, mas sempre atrasado pela falta de critérios e pela falta de um norte.