“Uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade” – a máxima de Goebbels se aplica perfeitamente ao que se diz no Brasil sobre o “neoliberalismo”, que associado à globalização e a um sentimento de anti-americanismo, serviu como bode expiatório para uma série de problemas estruturais; levando toda a culpa pelas falhas do Estado brasileiro. Na verdade, neoliberalismo nada mais é do que um chavão contrário às poucas mudanças liberalizantes feitas no Brasil a partir da década de 90; uma pecha muito utilizada para se colar em opositores políticos, mas de valor expressivo nulo. Em artigo de 2000, o saudoso Roberto Campos já dizia: “A atual globalização não é uma conspiração americana para manter sua hegemonia. Os Estados Unidos são hegemônicos simplesmente porque ganharam a II Guerra Mundial, pelo colapso do socialismo e por liderar a nova revolução tecnológica. A globalização convive com movimentos de integração regional, como a União Européia, precisamente como contrapeso à dominação americana. A globalização não é responsável pelo desnível industrial nem pela pobreza da periferia. Ao contrário, foi a globalização comercial e tecnológica que permitiu o salto tecnológico dos Tigres Asiáticos e o alívio da pobreza na China, que quinze anos atrás exportava menos que o Brasil e hoje exporta quatro vezes mais. Como o comércio internacional cresce quase o dobro do PIB mundial, os países abertos ao comércio e ao investimento vêm crescendo muito mais que os de economia fechada.” Acontece que o estado brasileiro não tem nada de liberal – como costuma ser dito principalmente pela esquerda. Sim, na década de 90 houve medidas liberalizantes, mas ainda tímidas e insuficientes para trazer alguma mudança mais significativa. Abrir o país para importar bens de consumo e privatizar algumas empresas não significa que você está se tornando liberal. Na verdade, dado o contexto, significa que você está se tornando minimamente ajuizado e reconhecendo suas limitações. De acordo com o índice de liberdade econômica de 2006 publicado pela Heritage Foundation, os países que obtiveram maiores avanços foram aqueles que tiveram a coragem de dar os maiores passos em termos de liberalização da sua economia. A associação entre liberalização e aumento da prosperidade geral é inequívoca: “…os países que mais liberalizaram as suas economias experimentaram as maiores taxas médias de crescimento econômico. A lição? Países comprometidos com a melhora da liberdade economica desfrutam dos maiores avanços em direção à prosperidade.” (p.o3) Na América Latina, o resultado não é animador. A incapacidade dos governos de vencer as demandas populistas e tornar evidentes as vantagens da liberalização econômica tem tornado a região estagnada. Exceto o Chile, que além de ser o país mais livre da região é também o mais próspero: “A liberdade econômica na América Latina e no Caribe estagnou. Ao longo dos últimos 10 anos do Índice, o resultado médio cresceu inexpressivos 0.09 pontos, em grande parte como resultado de pequenos avanços das economias menos livres além da melhora do Chile — a única “economia livre” da região.” (p.o3) Enquanto países como a Irlanda mudam radicalmente a sua história em uma década, ao ter coragem de romper com os laços estatais e investir maciçamente em uma verdadeira revolução educacional, aqui no Brasil preferimos seguir o mau exemplo latino e fazermos as mudanças em ritmo de valsa: dois pra lá, dois pra cá, mas sem nunca chegar a lugar algum.
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