Que a globalização é capaz de produzir fatos curiosos, não é nenhuma grande surpresa. As empresas, já há alguns anos, têm buscado fragmentar suas atividades de modo a aumentar a produtividade e a lucratividade. Um caso exemplar é o da Swissair que transferiu todo o seu setor contábil para a Índia, mercado de mão de obra qualificada, fluente em inglês e muito mais barata do que a suíça. Esse fenômeno de terceirizar ou fragmentar as atividades ou empregos que não sejam centrais às empresas ficou conhecido, mesmo em português, como outsourcing. Mas e os governos? Seria interessante para, por exemplo, o governo brasileiro buscar fornecedores no Chile dado que a carga tributária chilena é menos custosa? De acordo com Daniel Mitchell, no blog da Heritage Foundation, a Autoridade Tributária da Suécia firmou contratos com fornecedores na Estônia para produzir vídeos promocionais, economizando um montante em torno de 50% do custo de produção na Suécia. Segundo Mitchell: “A Suécia possui a mais onerosa carga tributária do mundo em 51.2% do PIN. Taxas na renda de pessoas físicas são de 56.5% na faixa de salários mais elevados. A Estônia, em contraste, retira apenas 32.7% do PIB em impostos, e impõe um imposto padrão de 24% tanto na renda de pessoas físicas quanto jurídicas.” Empresas buscam pagar menos impostos pois estes representam menor faturamento. Daí surgiu o outsourcing como uma forma legítima de diminuir a carga tributária. Entretanto, a autarquia responsável por coletar impostos evitar pagar impostos para si mesma parece algo um tanto quanto anacrônico. Imaginem se a Receita Federal resolve fazer uma campanha publicitária criada em Santiago, exatamente para fugir dos tributos brasileiros? Coisas do mundo globalizado.
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Muito bom esse artigo, Aprimorei mais ainda a idéia que eu tinha sobre.
Ajudou muito!