A análise atual sobre a economia mundial e o processo de internacionalização dos países recai sobre o comportamento dos Estados Unidos, como potência mundial e inegavelmente, para a China, como potência emergente. Aliás, seria a China uma potência emergente? Basta observar, criticamente, os inúmeros estudos de empresas de grande porte, de bancos de investimentos e escolas de primeira linha sobre o fenômeno chinês.
Enquanto os Estados Unidos representam em torno de 30% da economia mundial, mas com o registro do aumento da dívida interna, externa e do número de desempregados, o que propagaria uma queda no fluxo financeiro interno, a China vem despontando com um crescimento inesperado do PIB, para o segundo bimestre deste ano, das suas reservas internacionais em dólar e nos investimentos diretos.
Pela primeira vez, pode-se dizer que a economia mundial está descolada da sua maior potência, com sinais de recuperação no longo prazo, respaldada por análises de economistas de respeito como Nouriel Roubini, diretor do RGE Monitor e professor da Universidade de Nova York.
Porém, quais seriam os fatores de produtividade da economia chinesa, em relação ao mundo e em especial, para o Brasil? Seria justo o termo BRIC, ao comparar, strito sensu, Brasil e China?
Para os economistas, o sucesso do modelo chinês está diretamente relacionado a uma reforma política iniciada há décadas e pela abertura economia do país, estimulando o comércio internacional, elevação das reservas e grande capacidade de investimentos planejados, em especial, em infraestrutura. Basta observar, que nos últimos anos, as maiores obras civis, envolvendo pontes, viadutos, novas estradas, portos e aeroportos são de origem chinesa. Portanto, investimentos consolidados e bem avaliados geram retorno no curto e longo prazo.
Para o resto do mundo, o modelo de investimentos esteve correlacionado aos investimentos em bolsas e aplicações em derivativos, com um modelo regulatório fraco e perdas irreversíveis, com recursos não aplicados na economia real.
Para o Brasil, a análise é uma função direta das reformas proporcionadas há quinze anos, com a formulação do Plano Real e de um modelo que estimulasse a eliminação da inflação, equilibrando as finanças públicas e privadas.
O avanço proporcionado também, pela lei de responsabilidade fiscal e por um mercado de capitais atrativo, por mais que as taxas de juros elevadas proporcionem especulação, cunhou o Brasil como uma nação em desenvolvimento, ou seja, ainda necessitando de reformas. A desvantagem nacional são os parcos investimentos em infraestrutura, gerando problemas para as exportações e reservas internacionais ainda em patamares não esperados.
Para comparar, realmente, dois países, seria necessário que ambos apresentassem critérios semelhantes em seu comportamento, algo não justo entre Brasil e China. Os sinais são para uma economia mundial dividida entre o modelo americano e o asiático, com o atraso brasileiro, devido à lentidão no seu processo de tomada de decisão. Assim sendo, o Brasil ainda será o país do futuro, como todos sonhamos.
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