Duas instituições respeitadas concluem que países latino-americanos precisam aproveitar melhor seu capital e força de trabalho para alavancar o crescimento
Na edição desta semana, a revista “Economist” analisou os desafios econômicos da América Latina diante de um cenário econômico mundial menos favorável à exportação de commodities. A revista concluiu que o aumento da produtividade é a chave para o crescimento sustentável da região. Neste último fim de semana, um relatório anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ecoou a revista inglesa, destacando a importância do aumento da produtividade para o desenvolvimento econômico da região. De acordo com essas duas instituições respeitadas, a baixa produtividade é o calcanhar de Aquiles latino-americano.
O apêndice do relatório do BID analisa o papel da produtividade na trajetória econômica da regiao ao longo dos últimos 50 anos. Desde 1960, a América Latina e o Caribe passaram de regiões que estavam em uma situação vantajosa, em média, na comparação com o resto do mundo, a regiões em situação pior. A lacuna econômica entre países latino-americanos e os Estados Unidos também aumentou nos últimos 50 anos.
Segundo o relatório, a explicação para este declínio está na baixa produtividade. No gráfico abaixo, tirado do relatório do BID, a linha laranja mostra o desempenho da América Latina em termos de PIB por pessoa comparado ao desempenho dos Estados Unidos desde 1960. A baixa performance da região não se deve a alguma deficiência de capital humano, uma vez que a América Latina expandiu sua força de trabalho e seu capital mais rapidamente que os EUA no período analisado. O problema é o que se vê na linha vermelha, que mostra o declínio relativo do “fator de produtividade total” da região, um termo sofisticado para a eficácia com que uma economia consegue aproveitar seu capital e sua força de trabalho.
A produtividade latino-americana fica ainda pior na comparação com a Ásia. Entre 2001 e 2010, por exemplo, o BID revela que o crescimento do “fator de produtividade total” da América Latina foi responsável por apenas 58% do aumento da renda na região, enquanto o “fator de produtividade total” na China, por exemplo, representou 90% do aumento da renda por pessoa.
A resposta do relatório do BID para o problema da baixa produtividade latino-americana inclui melhorias na infraestrutura, redução da economia informal e a adoção mais eficiente de novas tecnologias. O relatório conclui que, se a região conseguir, nos próximos dez anos, reduzir pela metade a diferença entre a sua produtividade e a dos EUA, conseguirá dobrar a renda da população latino-americana neste período.
Fonte: Opinião & Notícia (The Economist)
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