Diversos artigos vêm sendo publicados por especialistas em mobilidade urbana, compreendendo profissionais de instituições sérias e comprometidas com o desenvolvimento do setor de transportes no Brasil.
Porém, deve ser elucidada a necessidade por uma análise macro do setor de transportes nacional, a sua intermodalidade, as opções presentes para os gestores públicos e o que reserva o futuro.
O setor de transportes no Brasil teve o seu destino para o modal rodoviário, devido a fatores políticos, técnicos e econômicos, envolvendo estes, a presença das grandes indústrias do setor automobilístico no desenvolvimento econômico nacional. Logo, culpar o automóvel é uma injustiça, sendo analisados somente os efeitos de escolhas passadas, devendo sim, buscar soluções de longo prazo e alternativas viáveis para os transportes como um todo.
Segundo dados da Coppead/UFRJ, os custos para uma operação logística, compreendem 58% para o segmento de transportes, 28% para armazenagem e 14% para investimentos em pessoas e tecnologias. Países com dimensões continentais como o Brasil possuem uma menor participação do setor de transportes, pela priorização na movimentação de cargas e pessoas pelas ferrovias, portos e aeroportos, considerando as estradas caras e poluentes.
Em particular, o modal rodoviário brasileiro possui estatísticas preocupantes. Dados do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura de Base) revelam que 88% das estradas nacionais são consideradas não pavimentadas e em péssimas condições; 82% dos motoristas são autônomos, os trechos operados por concessionárias estão localizados na região sudeste, economicamente ativa, mas com problemas em relação ao modelo das outorgas, entre os governos Fernando Henrique e Lula.
Ao mesmo tempo, diversos estudos indicam uma saturação das rodovias e das vias urbanas, através do modelo capacidade, hora, faixa, medindo este, a velocidade de fluxo, o próprio fluxo e as condições ideais para a movimentação de carros, gerando prejuízos incalculáveis.
Considerando o crescimento econômico nacional e as políticas públicas atuais, o futuro poderá ser por rodovias mais problemáticas, apesar das obras emergências em curso e pela paralisação plena do fluxo urbano.
Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte apresentam taxas de aquisição de veículos superiores as de natalidade, sendo o caso paulista o mais preocupante. Diariamente, são registrados mil novos veículos, confirmando que o modelo do rodízio esta falido. A opção seria a escolha pelo pedágio urbano, criando restrições de circulação.
A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de futebol em 2014 é uma oportunidade única para adequações viárias nas grandes cidades, com a construção de novas faixas, viadutos e restrições viárias. Em paralelo, para as rodovias, a proposta de obras, de fato, para as estradas, que permitam o fluxo de pessoas e cargas, em respeito aos prazos contratuais e na redução de acidentes.
Finalmente, não deve ser esquecida a conexão do setor de transportes, através da implementação de novas linhas de trens urbanos e interestaduais, além do acesso aos aeroportos e portos. O que pode ser observado, por enquanto, é a criação de uma linha entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, como um caso isolado no cenário nacional. Depois, não vale à pena reclamar das horas e recursos perdidos, em carros luxuosos ou não, parados pelas vias nacionais.
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