Extremamente oportuno o artigo “Onde está a oposição?”, do professor Marco Antonio Villa. É verdade, não existe oposição, pois se existisse de fato, ela não deixaria passar em branco o fato de, por exemplo, com todo o grande apagão de mão de obra, da enorme escassez de trabalhadores qualificados, dos 6 milhões de trabalhadores que receberam seguro desemprego no ano passado, apenas 200 mil frequentaram cursos de qualificação. Ora, caros amigos, tal dado é uma amostra eloquente da existência do mais nefasto dos “apagões”: trata-se da absolutamente ineficiente e perdulária gestão da coisa pública, uma vez que os recursos para pagamento do seguro desemprego são oriundos do FAT, que, por sua vez, tem como fonte de recursos especialmente o PIS e COFINS, tributos estes que acabam formando o preço final de bens e serviços que são ofertados na economia e, portanto, no final das contas são pagos pelos próprios trabalhadores! Quanto desperdício! Vale dizer que o gargalo da escassez de trabalhadores qualificados poderia ter sido evitado se o governo federal tivesse tido maior efetividade na construção e execução de políticas de capacitação e qualificação profissional lá atrás, em 2006, quando começou a retomada da economia, interrompida pela crise internacional e com nova retomada após a implementação da acertada política de desoneração de IPI, mesmo que contemplando apenas alguns setores. Daí, cabe a indagação: Onde está a eficiência executiva do governo federal que não percebeu a importância de, já naquele período (final de 2008 e início de 2009) – no qual houve uma forte queda do nível de emprego, especialmente na indústria, decorrente da crise internacional -, vincular o recebimento do seguro desemprego com a obrigação de frequência de cursos de qualificação e capacitação? E a oposição, porque não criticou com a veemência necessária tal falha de governança da coisa pública? E dê-lhe aumento das despesas correntes, que representavam 13,7% do PIB em 1991 (época das diabruras econômicas do Governo Collor) e hoje atingem 25,7% do PIB, com tendência a continuar subindo, tornando a máquina pública cada vez mais inchada, paquidérmica, autofágica, perdulária e ineficiente, pois além de gastar muito, o governo gasta muito mal, sem qualquer critério de qualificação da despesa pública. Ou seja, se a sociedade contribuinte do país – formada pelas famílias e empresas que invariavelmente pagam a conta através da pesadíssima carga tributária já acima da capacidade contributiva – não se der conta, teremos muito em breve um “leviatã tupiniquim” não somente ampliando a sua voracidade fiscal, mas, sobretudo, tomando-nos as propriedades, a liberdade e nossas próprias vidas. Revestidos sob o manto da pretensa promoção de uma sociedade mais justa e igualitária, os atuais mandatários do país permanecem aprisionados na escuridão da cegueira ideológica e não se deixam penetrar pela libertária luz da lógica. A história econômica da humanidade já deu provas cabais de que a riqueza de uma nação é construída através do capital educacional de seus residentes, da boa governança corporativa de suas empresas, do valor ético-institucional de sua classe política e do cumprimento das funções precípuas (educação, saúde, segurança e justiça) de um Estado descentralizador que produza, através de planejamento estratégico, ações governamentais eficientes e eficazes no sentido da mitigação das desigualdades de oportunidades, através da redução das desigualdades educacionais, único caminho capaz de reduzir as desigualdades de renda. Somente através de um povo melhor educado, mais qualificado e capacitado a encontrar um lugar ao sol no mercado de trabalho ou do empreendedorismo, alcançaremos a prosperidade econômica e o desenvolvimento humano.
Comentário sobre “Onde está a oposição?”
Leia também
A (IN)EFICÁCIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO
29/07/2026
*Lucas Nazareno Halabi O ordenamento jurídico brasileiro possui visível inflação legislativa; estima-se, somente na ordem federal, a existência...
Inteligência e Tecnologia na Segurança Pública: Como uma gestão baseada em dados pode reverter a impunidade e transformar positivamente a eficiência policial no Brasil
22/07/2026
A 54ª edição do Millenium Papers, de autoria da economista Pâmela Borges, enfrenta um dos maiores desafios do Brasil: a incapacidade do Estado de...
Educação financeira: legislar não basta
22/07/2026
*Dalai Oliveira Em junho de 2023, foi apresentado o Projeto de Lei nº 2.979/2023 com o objetivo de fortalecer o ensino de educação financeira na...
Liberdade Econômica para Crescer: uma agenda para emprego, renda e produtividade no Brasil
15/07/2026
A menos de três meses das eleições, é importante debater sobre os caminhos que o Brasil deve seguir em diversas áreas. É nesse contexto que o...
Sem Comentários! Seja o primeiro.