“O educador politicamente comprometido deve, então, contribuir pra que os alunos construam uma consciência crítica que lhes possibilitará serem sujeitos de sua própria história” (Multieducação- pp.96- Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, 1996) Formar sujeitos autônomos, críticos e conscientes de seu papel na sociedade é o objetivo da educação (familiar e escolar). Aceitando esta frase como verdadeira, é difícil não pensar na educação das escolas brasileiras de nível médio e nos seus professores. Que a maior parte dos historiadores e geógrafos brasileiros são fortemente influenciados por correntes derivadas do marxismo não parece ser um dado contestável, técnicos do governo, inclusive já apontaram isso como um problema nos livros didáticos: “Holien Bezerra, avaliador do MEC de livros de história, diz ter detectado, na primeira avaliação realizada pelo ministério, um problema recorrente de enquadramento do conteúdo dentro de apenas uma visão historiográfica, a marxista.” (Politicamente Correto Desvirtua Fatos, Folha de São Paulo, 05/09/2001) As inclinações intelectuais de cada um são questões de foro íntimo, entretanto, a maneira como isso aparece na atuação de um professor é que pode ser problemática. Quando professores revestem ensino ideologizado de verdade amplamente aceita, não só transmitem um fragmento parcial e pouco equilibrado do que se conhece, mas também atingem um público ainda em formação. Desta forma, mitos podem se tornar verdades e acabam por se perpetuar. Recorrendo a um exemplo particular, ao invés de ter aprendido que várias correntes historiográficas diziam coisas diferentes sobre a Inconfidência Mineira, eu simplesmente fui ensinado que Tiradentes havia sido enforcado por ser o mais pobre dos inconfidentes. Isso não é verdade, mas para toda uma turma de segundo grau foi. Deixou de ser para alguns, mas e os outros? Em países como os EUA ou a Inglaterra a educação é aplicada para dilemas e questões que o jovem irá enfrentar no futuro. Seja abrir seu próprio negócio, fazer experiências químicas ou se tornar atleta profissional. Aqui, essa opção não existe. Os alunos simplesmente são levados a aceitar o fluxo de informação que vem dos seus mestres. Sem crítica, sem desconstrução e sem pluralidade. Esta dependência de uma elite intelectual desestimula a independência, e isso tem uma série de conseqüências futuras muito graves. Muitos especialistas em desenvolvimento econômico mencionam o tempo de escolaridade como um fator crucial no progresso de um país. A questão da qualidade curricular, entretanto, é pouco mencionada. Enquanto a educação não tiver como função preparar os jovens para escolher, eles serão sempre dependentes de alguém. Seja dos professores, das famílias ou do Estado.
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