É um preconceito comum no Brasil imaginar que escolas particulares são exclusivas dos mais ricos. No Brasil, isso até pode acontecer. Em outros países com economias bastante dinâmicas, mas sem necessariamente o mesmo nível de riqueza, as escolas particulares têm exercido um importante papel na melhoria da qualidade de vida dos mais pobres. Em um artigo anterior chamado “Escolas particulares, a alternativa viável”, mencionei uma pesquisa do Professor James Tooley, da Universidade de Newcastle, que aponta o crescimento de escolas particulares em regiões pobres da Índia como uma alternativa de ensino para as crianças destas regiões. O mesmo Tooley, junto com o pesquisador Qiang Liu, conduziu uma pesquisa que visava constatar se haviam escolas particulares na província chinesa de Gansu. A população da província é de cerca de 26 milhões, dos quais 73% estão na parte rural. Os resultados da pesquisa são surpreendentes. Apesar dos registros oficiais darem conta de apenas 44 escolas privadas na província, sendo que todas situadas nas grandes cidades onde a população é significativamente mais abastada; a pesquisa identificou 689 escolas privadas na província, das quais 586 servem aos pobres. Além desta quantidade ser expressiva por si só, uma vez que estamos falando de um país comunista; o resultado dos alunos de escolas particulares em matemática e chinês se mostrou superior ao dos alunos de escolas públicas, mesmo com esses tendo índices maiores de QI. A renda média das famílias que mandam seus filhos para escolas particulares que visam lucro é de U$ 332 por ano, enquanto a das famílias cujos filhos estudam em escolas públicas é de U$ 414 por ano. A idéia de que os mais pobres estão dispostos a abrir mão de parte do seu pequeno orçamento para melhor educar os seus filhos, em um país que afirma ter 100% de suas crianças na escola, mostra o quanto o mercado pode ajudar os mais pobres a ascenderem socialmente. As escolas particulares têm se mostrado um instrumento alternativo de ascensão social para os menos favorecidos, uma vez que eles percebem que a educação estatal não será capaz de fazer isso. Se isso é uma alternativa viável em países como Índia, China e Somália, por que no Brasil esse tema é pouco discutido? Parafraseando Mário Covas, um choque de capitalismo no sistema educacional básico pode ser uma importante ferramenta de crescimento econômico para os indivíduos mais pobres e, por conseqüência, para o país como um todo.
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Ola, espero q possa me ajudar, Vou me mudar pra Chongqing na China e preciso de uma escola pro meu filho que vai fazer 8 anos em dez 2011, pode ser professor particular, onde posso encontrar?