O Brasil está acima da média mundial em relação à preocupação da população com a corrupção. Pesquisa divulgada na última quarta-feira pelo Ibope, em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research, revela que no país 29% dos entrevistados consideram o tema como principal problema no mundo. O índice é de 21% quando o estudo engloba 65 nações. No total, foram ouvidas 66.806 pessoas, que também citaram questões econômicas, a desigualdade social e o desemprego.
A maior média, no entanto, está no continente asiático. As Filipinas registraram 50%. A Indonésia ficou com 40%. Apesar disso, apenas 2% dos japoneses acham a corrupção o principal problema. Além do Brasil, México e Peru também aparecem com 29%. Na Europa, França, Alemanha e Reino Unido, possuem 4%, 6% e 8%, respectivamente.
Para o sociólogo Paulo Baía, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a preocupação dos brasileiros com a corrupção reflete a liberdade de expressão e imprensa:
– Quando a imprensa divulga atos de corrupção e a população não vê a punição, isso sensibiliza mais a população brasileira. O que não quer dizer que, em outros países, não haja corrupção. É que nesses países a punição é maior e mais eficaz.
Paulo Baía completa:
– Em países sem essas liberdades, casos de corrupção ficam ocultos.
Na pesquisa, a economia ficou em segundo lugar para 14% dos entrevistados. Os países africanos lideram a lista, com média de 21%, seguido das Américas (16%) e da Europa Ocidental (14%). Na Malásia, foi indentificado o maior índice: 47%. A Grécia aparece com 43%. O tema foi mencionado por 26% dos norte-americanos. Já 6% dos brasileiros citam as questões econômicas como um problema grave no país.
De acordo com o Ibope, a desigualdade social é apontada como o terceiro problema mais grave por 12% do grupo pesquisado. No Brasil, apenas 9% consideram este desequilíbrio a maior preocupação do mundo, ao contrário dos europeus, que apresentou índice de 24%. Com registros acima desse percentual, estão Alemanha (34%), Áustria (32%), Espanha (27%) e França (25%). O menor índice é do Reino Unido, com 16%. Por outro lado, as menores citações aparecem na Indonésia (5%), Tailândia (3%) e Malásia (1%).
Em quarto lugar, está o desemprego, citado por 10% dos entrevistados. Os italianos são os mais preocupados em ficar sem uma vaga no mercado de trabalho: 34%. Em seguida, está a Bósnia (32%) e a África do Sul (30%). No Brasil, desemprego é o principal preocupação mundial apenas para 8% da população e na Argentina, para 2%.
Fonte: O Globo
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