Dificuldade para lidar com a ideia de justiça. É o que revelam os casos de linchamento, segundo a pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), Ariadne Natal. “O linchamento tem relação com a percepção de impunidade, de que crimes não são punidos, e mais ainda, de que não são punidos adequadamente”, explica ela. Segundo Ariadne, parcela da população ainda acredita que o certo é atingir o outro fisicamente. “As respostas que as pessoas esperam não são necessariamente democráticas. Isso é uma falha do nosso sistema democrático que não conseguiu incutir valores de justiça, a ideia de que é diferente de vingança”, explica ela, acrescentando que instituições atuantes, que funcionem bem, são fundamentais para convencer a população de que outro caminho, sem violência, é possível para a sociedade. “O bom funcionamento do Estado é a melhor resposta para a população aderir às instituições e acreditar que elas estão lá para atender às pessoas”, diz Ariadne. Ouça o podcast.
“Linchamento tem relação com a impunidade”, diz pesquisadora da USP
Leia também
O retrato invisível das empreendedoras brasileiras
22/04/2026
*Lorena Mendes Por muito tempo, a história de Dorian Gray foi lida como um alerta moral sobre vaidade, aparência e decadência. Mas talvez sua...
O Caso Argentina: o que as reformas de Milei revelam sobre os erros do Brasil
15/04/2026
A experiência recente da Argentina sob o governo de Javier Milei tem despertado atenção internacional e intensificado o debate no Brasil. Após...
Aplicativos de transporte de passageiros por motocicletas e indicadores de saúde e segurança nas capitais brasileiras: uma análise de intervenção em séries temporais
09/04/2026
Na 51ª edição do Millenium Papers, Marcelo Justus, Luciano Benetti Timm e Wagner Lenhart analisam um tema que ganhou espaço no debate público...
O problema não é Kant, é a nossa facilidade em criar exceções
08/04/2026
*Victor Alberti de Carvalho Vivemos numa época em que quase toda infração moral vem acompanhada de uma justificativa nobre. Mente-se “pela...
Sem Comentários! Seja o primeiro.