No último meio século, a cultura da morosidade fez a economia brasileira crescer abaixo da média dos demais países emergentes
Poucos países do mundo dão lição de como aproveitar a vida como o Brasil. Mas, por conta desse estilo de vida, a noção de custo de oportunidade acaba passando despercebida pela maioria dos brasileiros.
Perder tempo no Brasil faz parte da rotina diária. Filas, engarrafamentos e prazos perdidos são tão frequentes que os brasileiros acabaram se acostumando à lentidão. Mesmo compromissos internacionais, como a preparação para a Copa do Mundo, são afetados pelos atrasos sem causar espanto nem mesmo aos membros do governo.
Essa cultura de morosidade afeta intensamente a produtividade do país. Nos últimos 50 anos, a produtividade brasileira oscilou entre a estagnação e a queda, comparada às demais economias emergentes.
A produtividade total dos fatores, que mede a relação entre a produção e o capital investido, é menor atualmente do que era na década de 1960. No Brasil, entre 1990 e 2012, a produtividade foi responsável por 40% do crescimento do PIB do país. Segundo dados da empresa de consultoria McKinsey, nesse mesmo período, esse percentual foi de 91% na China e 67% na Índia. Se o Brasil quiser que sua economia cresça mais do que a atual média de 2% ao ano, os brasileiros terão de se tornar mais produtivos.
Economistas apontam alguns fatores causadores desse gargalo na produtiviadade. O Brasil investe apenas 2,2% do PIB em infraestrutura, muito abaixo da média mundial de 5,1%. Das 278 mil patentes registradas pelos EUA no ano passado, apenas 254 eram de origem brasileira. Nos últimos anos, o gasto com educação no Brasil se elevou ao nível dos países desenvolvidos, mas a qualidade permaneceu ruim e o desempenho dos estudantes brasileiros está abaixo da média em relação a outros países.
Se o Brasil quiser aumentar o ritmo de crescimento até 2020, quando a atual força de trabalho entrar em declínio, os brasileiros terão de deixar a apatia de lado e enfrentar seu problema em relação à produtividade. Do contrário, o país corre o risco de cair em um sono profundo.
Fonte: Opinião & Notícia (The Economist)
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