O Globo, 01 de janeiro de 2007 “Das aldeias rurais às megalópoles, o planeta fervilha 24 horas por dia, sete dias por semana, com bilhões de seres humanos empreendendo, organizando, produzindo, servindo, transportando, comunicando, comprando e vendendo, em um turbilhão de atividades de inimaginável diversificação. Ninguém planejou e ninguém controla a economia global. É a estrutura social mais complexa jamais construída pela humanidade”, diz Eric D. Beinhocker, em “A origem da riqueza: evolução, complexidade e a reformulação radical da economia” (2006). Nossa integração nessa engrenagem depende da educação, equipamento básico exigido pela sociedade do conhecimento. Thomas Friedman, em “O mundo é plano” (2005), indica o enorme desafio à frente de nosso sistema educacional: “Cada novo produto percorre um ciclo: pesquisa básica, pesquisa aplicada, incubação, desenvolvimento, testes, fabricação, distribuição e assistência técnica. Cada fase é especializada e única, e nem a Índia, nem a China, nem a Rússia dispõem de talentos capazes de assumir todo o ciclo de produção de uma grande multinacional. Não obstante, esses países vêm ampliando suas possibilidades de lidar com um número cada vez maior dessas etapas”. O Brasil não é sequer mencionado. A educação brasileira sangra. Regulamentação inadequada e choques sistêmicos criaram um mar vermelho em que se afogam as organizações educacionais. Em “A estratégia do oceano azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante” (2005), W. Chan Kim e Renée Mauborgne examinam alternativas empresariais. Há os mares vermelhos das sangrentas disputas por fatias de mercado em indústrias já estabelecidas, por meio de guerras de preço. E há os oceanos azuis, que tornam o competidor irrelevante pela criação de novas indústrias e pela atração de novos públicos. “Muito mais efetiva do que a guerra de preços entre companhias semelhantes é a competição do novo produto, da nova tecnologia, do novo tipo de empresa. Atinge não apenas as margens de lucro das companhias existentes, mas principalmente seus alicerces, sua própria sobrevivência.” Era a “destruição criadora” de Schumpeter, em “Capitalismo, socialismo e democracia” (1942). Para Kim e Mauborgne, o sucesso de um empreendimento decorre dessa opção. “Existem forças que tornam a busca de oceanos azuis um imperativo da estratégia empresarial. O avanço tecnológico acelerado permite um arranjo sem precedentes de produtos e serviços. A globalização acelera essa tendência, pois as informações são instantaneamente disponíveis, homogeneizando produtos e serviços, aumentando a guerra de preços e encolhendo as margens de lucro”. E para Carl Shapiro e Hal Varian, em “A informação predomina” (1998), “as atividades de logística, distribuição e gerenciamento beneficiam-se de custos decrescentes quando apoiadas na tecnologia de informação”, tornando inevitáveis fusões e aquisições na busca de ampliação de mercados e redução de custos. O setor educacional não escapará da consolidação em busca de custos decrescentes por economias de escala. E de sua reinvenção por estratégias de oceano azul.
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